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7/22/2014

O Manacá do jardim de minha avó.

Virginia Almeida Ferreira.
O Manacá do jardim de minha avó. 
A casa ficava na rua principal da cidade. Era um tipo de sobrado possuindo um sótão que constituía um mistério para os netos, que lá não podiam subir.   O  casarão em  forma de um L, possuía  no centro da construção um jardim.  Por meio daqueles caminhos de canteiros tão bem cuidados, vivi toda a minha infância.  Eram tantas flores: roseiras, chuveirinho, boca de leão, brinco de princesa, bambuzinho, dálias, miosótis, margaridas e muitas outras, que enfeitavam os olhos de minha infância. Mas, nenhuma delas me chamava tanto a atenção como os manacás de cheiro. Muitos pés foram plantados ali pelo velho jardineiro, que cuidava carinhosamente do jardim.  Imponentes e cheirosos os pés de manacás, com suas flores branco-roxa-azulada, possuíam com certeza, alguma delicadeza que tocava meu coração.  O perfume de suas flores era tão agradável que ficou preso ás recordações que tive de minha vida de criança, naquele jardim.  O cheiro adocicado de suas flores no fim da tarde atraia centenas de borboletas que realizavam uma espécie de bailado em volta de seus galhos, dando mais beleza ainda às flores do pequeno manacá. Observava meu avô dando corda no velho relógio, enquanto o som do piano de minha tia tocavando um La Comparcita, acompanhava o vôo dos beija-flores que apareciam por ali. Muitas vezes, ficava sentada à sombra do pé de manacá observando o balançar de seus galhos lotados de pequenas flores, que também atraiam lagartas pretas e amarelas, de apetite voraz que eram atacadas por pardais, fazendo uma espécie de seleção, natural tão importante para o equilíbrio da natureza. Mas, o que não sabia na época é que aquelas lagartas se fossem todas eliminadas, não se transformariam nas borboletas que faziam um bailado multicolorido em volta das flores do jardim. Lembro também que perdia muito tempo ali, gostava de tirar folhas do pé, só para sentir a textura em minhas mãos... Coisas dos tempos de inocência. Às vezes tirava flores do pé para sentir de perto seu perfume e por vezes as colocava nos cabelos. Em alguma época do ano, via suas pequenas flores desaparecerem para surgirem em outro espaço de tempo. Aprendi que “as flores não são eternas”, elas desaparecem, - como a felicidade, os amigos e os amores. Hoje sinto saudades daquele jardim, onde aprendi na ingenuidade de ser criança, que possuir um jardim como aquele era de fato a essência de ser feliz, como se a felicidade fosse constituída apenas em ter flores e sentir o seu perfume.  Hoje sinto saudades de quando eu só tinha medo da noite, saudades de não desconfiar das pessoas, saudades do tempo em que podia andar descalça na grama molhada do jardim ou no cascalho do córrego que corta a cidade, outrora de águas limpas sentindo a sensação de liberdade, saudades do tempo em que nunca tinha sido magoada, saudades do balanço dos galhos floridos dos manacás de minha avó. O casarão da rua Dr. Esperidião com seu belo jardim não existe mais e os pés de manacá também partiram para um lugar incerto dando lugar a uma edificação.  Agora, toda vez que passo por ali, sinto o cheiro adocicado das flores do manacá que germinou em meu subconsciente e guardo na lembrança o cheiro da “casa de vó” que marcou para sempre minha vida de criança. 

5/19/2014

A Beleza dos Avessos

 Virgínia Almeida Ferreira 
Existem momentos na vida que uma simples palavra tem o poder de mudar tudo aquilo que você construiu na sua mente por anos e anos. E foi exatamente o que ocorreu quando escutei essa passagem do Padre Fábio de Melo: “Esse jeito esquisito que Jesus tinha, ao preferir os piores né? Faz-me pensar na beleza dos avessos. Às vezes a gente na pressa de encontrar, a gente não vê. Quantas vezes em nossa vida desprezamos as pessoas porque consideramos apenas o agora. É tão doido a gente ser visto somente a partir do presente, quando as pessoas só olham para a gente e só enxergam aquilo que a gente tem no momento. Jesus, no entanto era capaz de preferir quem lhe preferia, pois ele  não era um homem que se prendia no presente...e isto era fascinante em Jesus. Eu acho interessante isso nos  amantes, eles nunca esgotam as criaturas amadas. Porque o amor sobrevive de futuro? Ele consegue enxergar o que a gente ainda não viu. A pessoa que ama consegue enxergar o avesso. Vê o contrário da situação. É tão bonito a gente pensar que a beleza do tecido tem um sustento, uma trama por trás de tudo isso. Compreender as pessoas amá-las, só é possível quando a gente entra na trama do avesso. Quando a gente enxerga não somente aquilo que os olhos podem revelar, mas, sobretudo, aquilo que está oculto. Deus nos ama assim. Porque “consegue enxergar o que a gente ainda não é, mas o que a gente ainda pode ser.” E foi a partir dessas palavras que comecei a mudar a base da minha vida. Porque não é difícil amar nossa família, nossos amigos ou aqueles que nos fazem bem. O difícil mesmo é amar o estranho, o indiferente, o concorrente, o inimigo...Pois, esses ainda não concretizaram coisas boas em nós. Porém, se analisarmos em um contexto mais amplo e a partir da palavra do Padre Fábio de Melo, notaremos que é possível. Basta não direcionarmos totalmente nossa vida no agora ou no passado.  “Mas ele faz isso comigo. Por que devo perdoá-lo? “ Ele jamais me ajudou em qualquer situação”.  Essas frases lhe são comuns não é mesmo? São comuns quando um mero estranho fala conosco. Mas se pensarmos em um contexto mais abrangente, notaremos que todas as pessoas merecem nossa atenção e o nosso perdão. Mesmo aquele que nem sequer pediu. Fazendo isso a gente passa a enxergar a pessoa no futuro, ainda que seja uma mera idealização e ficaríamos mais perto de Deus.

2/13/2014

Crianças

por, Virgínia Almeida Ferreira.
 
            Que saudades eu tenho dos beijos melados de nossas crianças, com os lábios brilhantes da calda de açúcar raspada da panela onde fora feita a calda do pudim de leite de nossas mães, das gargalhadas que davam ao verem os dentinhos colados com as balas puxa-puxa feitas para as festinhas infantis, dos olhinhos marotos ao ouvirem as histórias contadas ao fim da tarde na varanda olhando as estrelas no céu!...
“A verdade é que a criança gosta de histórias como gosta de caramelos e de brinquedo” (Josue  Montelo ).Outro dia dei de encontro com um texto de Janusz Korczak que me chamou muita atenção. Ele dizia: - “Vocês dizem: Cansa-nos ter de privar com crianças. Têm razão. Vocês dizem ainda: - Cansa-nos, porque precisamos descer ao seu nível de compreensão. Descer, rebaixar-se, inclinar-se, ficar curvado. – Não é isto que nos cansa, e sim, o fato de termos de elevar-nos até alcançar o nível dos sentimentos das crianças. Elevar-nos, subir, ficar na ponta dos pés, estender a mão. Para não machucá-las.  Para mim, livro é vida: desde que era muito pequena os livros faziam parte de meu dia a dia pois, meu pai  incentivava-nos a  ler contando-nos histórias e  nutrindo nossa estante de livros infantis.  Quando era criança brincava de construtora com pecinhas de madeira, livro era tijolo: em pé, fazia parede: deitado, fazia degrau da escada: inclinado, encostava num outro e fazia telhado. E quando a casinha ficava pronta eu me esprimia lá dentro para brincar de morar em livro. De casa em casa fui descobrindo o mundo( de tanto olhar para paredes) olhando desenhos e decifrando palavras. Fui crescendo e derrubando telhados com a cabeça. Mas fui  ficando intimas com as palavras e menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir  novas  casas. Todo dia minha imaginação  comia, comia, e comia; e de barriga assim tão  cheia , me levava pra morar no mundo inteiro; iglus, cabanas, palácios, arranha-céus, jardins encantados,  era só escolher e pronto, o livro me dava. Foi assim que, devagarzinho, me habituei com essa troca tão gostosa que no meu jeito de ver as coisas – é a troca da própria vida quanto mais eu buscava o livro, mais ele me dava. Hoje busco reunir meus sobrinhos  e netos ensinando -os a fabricar tijolos  - em um lugar-  para  poderem levantar a casa onde um dia irão morar. Ler par uma criança, tornou-se  essencial neste mundo onde a criatividade está ficando para trás. Lembre-se que existe um monte de histórias esperando para serem lidas para as crianças e este é um gesto simples e muito importante. Hoje virei um “contador de histórias” pois venho notando que as histórias  de “era uma vez” estão ficando cada vez mais abandonadas em um reino  muito distante. Nada mais compensador do que observar os olhos de uma criança quando estão ouvindo uma história. Em uma história bem contada de monstros, princesas ou de herói, as crianças estão aprendendo a olhar a própria vida e a conhecer um pouco de si. Nada melhor do que ler para os pequeninos na hora de dormir, pois eles precisam de sonhos e quanto mais mágico for o final da história mais realizados  eles ficarão e dormirão  embalados pela doce magia de ouvir histórias contadas pelas pessoas que eles  mais amam.

2/04/2014

Você usaria para enfeite a fotografia de um político?

Você usaria para enfeite a fotografia de um político?

Perguntinha que qualquer enquete daria 90% para “claro que não”. Afinal, 90% dos políticos são umas, complete, que esta também é fácil: ...

Pois é, mas têm aqueles 10% de políticos que merecem homenagem e propaganda. Isso, também não podemos negar. O Lula estaria nestes 10%? Creio que sim. Votei quatro vezes e continuarei votando no Lula, mas não arriscaria tê-lo como um símbolo de luta, pois entendo que faltou-lhe algo mais, como a luta contra os poderosos. Só para exemplificar, faltou-lhe o enfrentamento das cinco famílias que monopolizam a imprensa brasileira. Neste ponto, deveria ter feito o que a presidente da Argentina Cristina Cristine fez contra o grupo de comunicação Clarín. Ela não se intimidou e quebrou o monopólio da empresa, impondo uma série de restrições ao acúmulo de propriedade cruzada nos meios de comunicação, com isso democratizou a informação.

Lula não fez isso com as organizações Globo. Um político completo tem que ir além de programas sociais. Lula tem sua história, suas lutas antes de chegar ao poder e suas conquistas quando chegou ao poder, por exemplo, tirou 50 milhões de brasileiros da miséria e levou energia elétrica para o campo, mas seu governo ficou marcado por recuos históricos (curvou-se a certos grupos, fez alianças decepcionantes e, em nome da “governabilidade”, presenciou a criação, por uma parte do PT, do “mensalão”).

A pergunta acima continua sem resposta. Ou melhor, continuava, pois a gente responde que sim. Coloquei um presidente na tela do meu computador. Pois é.

Trata-se de um presidente que não esbanja luxo, mas simplicidade e compromisso com seu povo. E por ser assim já está cotado para ser Nobel da Paz. Estou falando do Mujica, o Pepe, presidente uruguaio. Ele é um exemplo de economia para os cofres públicos, quando viaja de avião, vai na classe econômica. Ele é um exemplo de vida simples, quando viaja de carro, vai no seu fusquinha, ou melhor, um fuscão. E a casa do presidente Mujica (não mora na residência oficial, sobre esta ele já declarou que se preciso for vai virar abrigo para os moradores de rua) não é nenhum palacete, tem até aquele musgo que nasce grudado nos degraus de qualquer escada simples e, em volta da casa, é aquela cachorrada verdadeira: só dá vira-latas. E por aí vai sua casa e sua vida que nada se parecem com as casas e estilos daqueles que estão no alto escalão do poder.  

O maior orgulho do presidente uruguaio é andar pelas ruas de seu país sem uma penca de seguranças, ele vai sozinho mesmo e entra em qualquer lugar. Por onde anda, é louvado. O povo uruguaio confia em suas decisões.

Por tudo isso, é fácil concluir que Mujica é um presidente que vive os dizeres do filósofo São Tomás de Aquino: “Um homem não pode ter o supérfluo enquanto o outro não tem o essencial”. E ele vai em busca do essencial a caráter: de carro e moradia populares. E o essencial de Mujica vai além do material e, convenhamos, é muito grande para o mundo de hoje. Sua busca ultrapassa a conquista por moradia, emprego e comida. Mujica quer liberdade, livre arbítrio para o seu povo.
 
Poderia ficar falando muito ainda dos seus feitos, de sua vida pra lá de exemplar, como: ele doa 90% do seu salário e explica “Este dinheiro me basta, e tem que bastar porque há outros uruguaios que vivem com menos”; usa as mesmas roupas; desfruta a companhia dos mesmos amigos antes de chegar ao poder.

Para Mujica vão faltar prêmios e homenagens. Já para a classe política que só pensa em roubar e ostentar mansões, aviões, carrões, as faltas são outras: vergonha, respeito e, claro, prisão e confisco de bens.  

Vida longa ao Pepe Mujica.

12/27/2013

NOSSAS CRÔNICAS

NOSSAS CRÔNICAS
Três crônicas: Tragédia do Cavaco, Animais de Estimação e Língua Portuguesa.
Tragédia do Cavaco
Por, João Marcos Honório Carneiro.
Amigos moradores do Cavaco e demais moradores de nosso município e região. É doloroso lembrar o trágico acontecimento de 31 anos atrás. Quando um casal de velhinhos morreu soterrado sob as terras umidecidas da encosta do terreno vizinho ao bairro. Era verão e chovia muito. Dona Glorinha acabara de chegar do trabalho e minutos antes passava no local. Salvador Miguel dos Santos foi o primeiro a socorrer as vítimas. Talvez isso o tenha feito participar da tão útil brigada anti-incêncio de Rio Preto.  
Bem sabemos: água de morro abaixo e fogo de morro acima ninguém segura. Também não segura a verdade quando ela deve aflorar.
Naquela tarde de agosto, há dois anos atrás, acompanhei com angústia os incêndios que se proliferavam em nossa cidade. Fui até a lan house – pois não possuía computador próprio e fiquei aquela tarde de domingo inteira procurando um remédio para toda aquela situação. Foi então que achei um tipo de capim muito utilizado no oriente para segurar as encharcadas encostas plantadas de arroz.
O verão já iria chegar com suas chuvas frequentes e abundantes. O pesadelo daquelas lembranças de infância veio à minha memória. Tentei em vão recorrer às autoridades. Tentei fazer uma reunião com os moradores do Cavaco. Escutei às bocas pequenas: Ele é um chato! Se ser exigente é ser chato, eu assumo: sou chato. E vou chatear mais uma vez todos vocês convocando uma reunião para ver se nós conseguimos junto às autoridades fazer que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente consiga dialogar com os proprietários daquelas áreas. Coisa que me foi negada naquela época. 
Animais de Estimação
Por, Célia Vaz. 
                O nome já diz tudo: de se estimar. Não para trabalhar ou dele se alimentar, esses animais são adotados cada vez mais nos dias de hoje e estão sendo tratados como se fossem pessoas da família. Parecem cumprir a missão de suprirem carências afetivas. Sejamos sinceros: os laços sociais entre as pessoas vão se diluindo, rompem-se acordos por qualquer coisinha; em contrapartida,fica-se mais tempo em casa (foge-se da violência, da exposição, da lei seca, e tc.). Some-se a isso Internet e churrasqueiras modernas (falaremos sobre churrasco mais adiante) e mais o apelo ecológico e temos o “ecossistema” perfeito para a proliferação desses animaizinhos,que segundo cientistas1, é um dos fatores, devido a seu grande número, que contribuem para emissão de carbono no planeta. Sugere-se até a proibição total das mascotes em todo o mundo como forma de diminuir o aquecimento global. Você acredita que as pessoas abririam mão de suas “petizinhas” particulares  em  prol de um bem comum? Mas deixa isso pra lá!
        A história dos homens com os animais domésticos começa a muito tempo atrás,mais ou menos oito mil anos antes de Cristo. Era o início da revolução agrícola, mudando os hábitos do homem que se tornava sedentário e começava a formar as primeiras aldeias. Em casa estocavam grãos,que atraíam roedores, que atraíam gatos selvagens2, e em volta delas ia surgindo “o lixo”, que atraía,por exemplo,lobos, que por sua vez ajudavam a manter distantes predadores mais perigosos...
        Eis a origem dos gatinhos e cachorrinhos que toda criança adora, aliás, foram elas  quem provavelmente começaram a trazer filhotinhos para casa e convenceram os chefes da família mesolítica3 a aceitarem os pequeninos. E essa parceria funciona desde então, em simbiose perfeita,graças,em grande parte, à inferioridade dos animais em relação ao homem e à consequente submissão a seus donos.
         Mas nosso DNA ainda é o mesmo, e sentimos muitas saudades de nossa vida selvagem,de nossas fogueiras (falaremos sobre elas também); e olhar no fundo dos olhos de um animal,um unstante que seja,nos remete a esses tempos antigos de vida ao ar livre,sem lâmpadas,TV,sem contas a pagar... E é esse olhar que nos torna selvagens novamente,e,ao mesmo tempo,alimenta nossos instintos,sempre insaciáveis,de cuidado à prole... E como o homem precisa expressar seus afetos,se não for com os sua espécie,que seja com outras... A psiquiatra Nise da Silveira4 usava cães e gatos em sua lida com os pacientes e os chamava “co-terapeutas”!
        E conjuntamente com a agricultura veio o pastoreio,com o homem domesticando os animais para fins de alimentação e trabalho (tração). A bicharada não tinha moleza não! como não tem ainda hoje,vide o caso da invasão do Instituto Royal por manifestantes que literalmente,soltaram os cachorros! Mas será que depois foram comemorar com um churrasquinho*? Então,assim como na vida,alguns animais merecem mais consideração que outros? Cachorro vale mais que porco? Frango,boi? Mas deixa isso pra lá!
        De qualquer forma,não há mesmo maneira dessa amizade acabar,pelo contrário,ela só se fortalece. E nem falamos de mercado ainda! Biscoitinhos e roupinhas,caminhas e bolinhas! Mas deixa isso pra lá!
1 James Lovelock,procura na Internet.2 Foi do gato selvagem africano ( Felix Lybica) que derivou o atual gato doméstico. Assim como nós,da África para o mundo!3 Mesolítico,período que começa entre 10.000 e 8.500 a.C. e termina cerca de 5.000 a.C.4 Nise da Silveira,procura!* Finalmente,o hábito do churrasquinho também é outra coisa que o homo sapiens não largará jamais. É a reminiscência daqueles dias de caçadas fartas,a tribo reunida, homens, mulheres e crianças em volta da fogueira que iluminava e cozinhava, e que aquecia a noite límpida,de miríades de estrelas.
Célia Vaz é artesã, poetisa de papel e muito amiga de sua gata nas horas vagas.   
CURIOSIDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA
Por, Virgínia Almeida Ferreira. 
                Tive a felicidade de estudar na E.E.Dermeval Moura de Almeida onde um professor marcaria minha vida para sempre e me ensinou a venerar a língua portuesa – Prof. Vitorino. Também tive meu pai grande incentivador da leitura, além de nos contar histórias, colocava variedade de livros em nossas mãos, nos fazendo amá-los. De tudo isto ficou o gosto pela literatura e a facilidade em expressar pensamentos no papel. Como diz Saramago : “Quem de palavras tem experiência, sabe que delas deve esperar tudo”. A história das palavras é a história do homem. Elas nascem e atravessam idiomas, mudando quase sempre de formas para se adaptarem à fala de um povo – e muitas vezes no conteúdo – revelando o olhar e o pensar dos novos usuários. A surpresa pode estar na origem de uma palavra (um azulejo não é obrigado a ser azul), (é possível quebrar um galho sem nenhuma árvore por perto). Expressões e falas da língua portuguesa às vezes nos divertem sem nem mesmo sabermos como surgiram e por que são hoje usadas da forma que a utilizamos. Assim expressões surgiram e são utilizadas por nós no cotidiano como: Por que uma pessoa é cheia de nove horas? – De onde veio o puxa-saco? – Por que os dias da semana têm feira? – Onde Judas perdeu as botas? – De que cor é a cor de burro quando foge? – Por que mandar alguém plantar batatas? – Quando é que se volta à vaca fria? – Por que julho e agosto ficaram juntos com 31 dias? – Por que o doce brigadeiro ficou com este nome? – Casa da mãe Joana?- Santo do pau oco?.........Assim muitas expressões que usamos hoje têm sua origem e significado,vou apenas dar uma palhinha para vocês leitores sobre algumas destas expressões: - Onde Judas perdeu as botas ( é claro que Judas nunca usou botas, pois estas não existiam  no seu tempo mas, nas pintura ele sempre as usava pois foi condenado a vagar para sempre por lugares muito distante, onde provavelmente perdeu as botas nos confins do mundo) – Casa da mãe Joana ( lugar onde todo mundo manda e faz o que bem entende. Origem nos bordéis franceses onde Joana uma famosa cafetina abria as portas dos bordéis para qualquer um , com o sentido de uma casa que está aberta a todos). – Cor de burro quando foge (a expressão é deturpação de outra, do tempo em que os animais andavam soltos na cidade: “corro de burro quando (o burro) foge) – Plantar Batatas (era em Portugal uma atividade inferior à de ser operário de fábricas por ser atividade desprestigiada e braçal, que inferiorizava o trabalhador, destinava-se, portanto a gente desqualificada). Já que estamos falando de curiosidades, você sabe o que aconteceu com os reis magos após terem enganado Herodes? Simplesmente sumiram. Mas um dia em um sonho pude saber que os magos de cabelos brancos, transformaram-se em meninos. Eles haviam dado ao rei menino ouro, incenso e mirra. Mas o que não se conta é que o menino tenha  dado presentes a eles também.  E o que ele deu,  foram seus sonhos de criança! Bastou que os magos sonhassem o sonho do menino para que se transformassem em crianças, com olhos de menino. Que neste Natal cada um de nós nos transformemos em criança vivendo dentro de nossos mais belos sonhos, brincando na esperança de que o saco de Papai Noel esteja cheio de esperanças, partilha, amor, amizade, felicidade, compreensão, sabedoria, para distribuir a todos que conosco conviveram neste ano que passou.
Feliz Natal!

10/08/2013

Futebol e filantropia: gol de placa.

Futebol. O escritor Lima Barreto detestava, dizia que era o atraso do Brasil. Na canção “Outras Frequências”, os Engenheiros do Havaí cantam que futebol é uma bobagem. O governo Federal anda até com um slogan sobre o quanto seríamos melhores se a nossa paixão fosse a educação, mas não o futebol. Já pensou?
Pois é, mesmo pensando nisso tudo, ainda gosto de futebol. É uma paixão. E por ser paixão não há escritor, músico e muito menos governo que vá me demover deste sentimento. Como todo apaixonado, confesso também que sou um sem vergonha. Sei que há mais colorido nas chuteiras e mais desenhos nos cabelos do que nas jogadas. Vibramos mais com craques do que com os times (as finais são óbvias). E os craques estão cada vez mais escassos. De um em um vamos alimentando nossa paixão miserável. E as mesas redondas são postas sempre em torno deles. Chatas por isso. A bola da vez é Neymar e talvez o Fred. Antes, o Ronaldinho que veio para substituir o Ronaldão. Mesmo assim a gente está sempre lá esperando a quarta, esperando o final da novela, lendo as notícias do Barça e por aí vai a nossa paixão com sua caixinha de pouquíssimas surpresas.
Sei que muitos estão se desapaixonando. Sequer olham as manchetes nas bancas de jornais. Alguns ficaram até sem assunto. Ou melhor, falam do seu sentimento que acabou. E como reclamam. Reclamam e têm lá suas razões, esta paixão acaba mesmo com a gente. Somos traídos nos campos para todo mundo ver. Os craques de várzea sumiram com a várzea. Agora é tudo bonitinho, arrumadinho, marcadinho, coloridinho, etc. No diminuto disfarce sobra pouca coisa boa, a filantropia é uma delas. Um jogo para levantar recursos e, mais que isso, fortalecer pessoas especiais merece toda nossa emoção e divulgação. Quer um exemplo do quanto o futebol vale a pena neste sentido: o jogo em prol da Apae.
Voltando ao futebol das jogadas e dos campeonatos, lamentou um desapaixonado amigo que as arquibancadas também estão mudando. Para a Copa, falou, teremos ingressos no valor de R$600,00 para as arquibancadas (quase um salário mínimo), R$2.000,00 para as cadeiras, sem contar que os instrumentos musicais serão proibidos. É isso aí, nada daquele surdão e muito menos povão nos estádios do mundial. Arremata que as quatro linhas do campo estão dominadas por cartolas, bicheiros, enfim, por quem lá no fundo quer o futebol para lavar dinheiro, sonegar impostos e fazer política. É claro que estamos falando dos grandes, os pequenos só imitam esta triste realidade e dão pernada para sobreviver neste campo e às custas da nossa paixão. É claro também que temos grandes e pequenos apaixonados pelo futebol.
Tenho pena do meu amigo que não gosta mais de futebol. Ele fazia bons comentários, era mais feliz - mesmo sofrendo como a gente. Tomará que tenha uma recaída com a Copa do Mundo que vem por aí.  Tomará que se apaixone novamente e volte para a nossa mesa e conversas. Quanto a mim, estou seguro com esta paixão. Mesmo jogando diametralmente de forma oposta do que os lá de casa jogavam, provei bem cedo o gosto bom do futebol, que é o de jogar, torcer e, agora, vê-lo também associado a questões filantrópicas.

10/03/2013

O Amor

O Amor, por Célia Vaz
Diz uma teoria que paixão dura no máximo uns três anos - é um estado fisiológico que o organismo não mantém por mais tempo que isso - e que só depois o amor acontece - ou não. Li em algum lugar, a respeito da “química entre casais”, que seria o reconhecimento de um  sistema imunológico complementar, garantia de boa prole. Outra história diz assim: que o homem dá amor para obter sexo e que a mulher dá o sexo para obter - amor.
Certamente há muitas outras explicações para decifrar o amor, sempre tão irracional! É sem dúvida um barato da emoção, que muitos quiseram domar, por medo ou conveniências, e então veio o tal do casamento  -  que nem sempre tem a ver com amor.
Dependência emocional; dependência financeira; apego a status quo; medos variados, tipo, que ele/ela seja feliz sem você e você não; também, profunda admiração; grande tesão; prazer da companhia; etc. Você está com alguém por quê? Nem sempre a resposta é simples, é um mix de “tentações”, com fortes afetos envolvidos.
Em minha modesta opinião, não há amor sem o sentimento de admiração, o amor mesmo seria essa admiração, associada a alguns outros fatores que “esquentam” a relação. E voltando lá na teoria de que amor só depois de paixão (não que ela desapareça), quando então ele, o amor, é um processo (não coisa) vivo, dinâmico, capaz de transformar os parceiros de maneira muito pessoal e sutil, em função das personalidades específicas que estão interagindo; e essa admiração que é o assombro/atração por aquilo que nos falta, parece que estamos vendo uma mágica acontecer. Então tá,o amor é uma magia*  também. E a ideia de que esse amor tem que ser um mar de rosas perene e cheio só de certezas e sentimentos positivos é um grande equívoco, pois com tudo o que faz conosco, operando nossas dubiedades, ora é o paraíso, ora o próprio inferno. Por um lado enriquece e por outro empobrece, ele dá e consome nossas energias conforme nosso grau de entrega. Ele é esse processo que envolve prazer e dor, ou melhor, enquanto envolver prazer e dor, é porque está ativo e poderemos evoluir através dele.
Não é fácil, mas é gostoso!
*está lá no Koogan Larousse, MAGIA s.f. Arte tida como capaz de produzir,por meio de certas práticas ocultas,e feitos que contrariam as leis naturais.
 Célia Vaz é artesã autodidata e amante de literatura.

10/01/2013

Sport Clube de Rio Preto

Por – Aloísio Melo. 
Pitágoras, Platão, Heródoto e Aristóteles – essa a respeitável linha de ataque do time da Filosofia que me permito escalar, hoje, nesta coluna, sem medo de estar atropelando nenhum beque. Esses aí são cobras criadas nas disputas das idéias que enobrecem o nosso espírito. Mas existem também os que cuidaram das disputas dos gramados.
A minha fonte é não menos do que Armando Nogueira, para quem nós todos devemos tirar o chapéu para as crônica que escreveu quando era vivo. Em um de seus textos ele escalou a linha de atacantes acima, quando eles jogaram pelo Atenas Futebol Clube. Mas, convenhamos, existiu também o Sport Clube Rio Preto.
Quem não se lembra daquele time famoso. É preciso cultuá-lo nessa comemoração de seus 96 anos, agora neste 2013. Foi numa noite de 13 de maio de 1917 que surgiu o “Paz e Esperança Futebol Clube” riopretano. Ele foi o precursor do Sport.
Foi assim que aconteceu. Reunidos na Praça Barão de Santa Clara, alguns jovens da época se empolgaram em criar um time. Foram eles: Dolor Gentil Ramalho, Artur Malhado Carneiro, Felipe Flutt, Felipe Habib, Elpídio dos Santos, Joaquim Simões e Horácio Machado Sales. Eles não imaginavam que davam ali inicio a uma história verde e branca (cores do time) que permanece até hoje.
 Depois de estrear jogando contra o Cruzeiro, o novo time riopretano, o “Paz e Esperança” foi o primeiro campeão oficial de Valença. Um jogo em Rio Preto, no dia 17 de julho de 1917, aniversário do time, marcou a inauguração do “Campinho do Divino”. O jogo terminou empatado em dois.
Em 1918 o “Paz e Esperança” passou a se chamar Sport Clube Rio Preto, nome que ainda mexe com o orgulho dos riopretanos. Se se dizia de Aristóteles que era um ponta que jogava parado, pensando. Não se pode falar o mesmo de João Batista, ponta do Sport. Ligeiro, hábil com a bola nos pés, ele fez carreira além de Rio Preto, no Royal de Barra do Piraí.
Platão, ao contrário de Pedrinho, só cuidava de ginástica e educação física em sua academia. Mas o meia riopretano não deixava que a bola se descolasse dos seus pés, nunca. O filho do “Zé Pequeno” era só alma e segurança ao time em campo, principalmente se os adversários fossem o Monte D’Ouro e o Coroados, frequeses de caderno do Sport.
Pitágoras só entrava no jogo para dar ritmo e harmonia. Já o Sport tinha o João Faria e o Macaco. Com essa dupla de área não tinha prá ninguém com Pacote de quarto sagüeiro, escorando. Se Pitágoras trouxe para nós a criação estética, esses três feras do clube alviverde riopretano, pode-se dizer sem medo nenhum de errar: criaram um espaço lúdico para a bola, entre suas cabeças.
E não podemos nos esquecer do Neco, Daio, Jean, Tatita, Neil, Jardel, Wiliam e Vilela. Sei que vou me esquecer de muitos. Mas não do Ronaldo Peroti. No gol era a tranquilidade do time. Não foram do meu tempo, mas tem também o Zé Pequeno, o Soizinho e o Zinho Rosa, e, muitos outros ...O Alan !!! O goleiro Bruno !!!
E Heródoto? Ah, esse não era igual a Platão e nem Aristóteles. Mas, o seu profissionalismo, mesmo não sendo craque em campo, deixou o legado da organização.  O Sport teve em Olavo Monteiro o presidente a quem o time deveu grande parte da sua glória pelas vitórias nos campeonatos que disputou em Rio Preto e Valença. Vivam o Sport!

4/05/2013

Milagre


por Adriano de O. Duque.
 
Um dia o Zé Ruço falou comigo, vamos tirar uns filhotes de gavião. O Dimas (Bar) também topou. Fomos lá. Era uma pedreira com uns bons cinquenta metros. Chegando lá, os dois recuaram. Eu fui. Firma o pé ali, agarra a mão aqui, até chegar na fenda. O gavião nos olhava de longe. Estava tranquilo, sabia que não era ali. Queria, talvez, que eu caísse, estava certo, afinal era seu ninho com suas crias que estavam em jogo. O ninho não estava na fenda. Dela voou apenas uma coruja assustada e quase me fez escorregar. Gritei que não tinha nada, eles gritaram para que eu descesse saindo por cima, era mais seguro.  
Com segurança não se brinca, mas... E são nestas reticências que tem os acidentes da brincadeira. Um tombo, uma queda, um osso quebrado, uma luxação e por aí vão os resultados da brincadeira com a falta de segurança. Ontem foi conosco, outro dia foi com um conhecido, mas não aprendemos, ou aprendemos até que vivenciamos o ditado da segurança.  
Por que é preciso aprendermos os limites com a dor? Muitas das vezes somos crianças, precisamos levar o choque para saber que em tomada não se mexe descalço ou com o relógio desligado.  
Levou tempo, depois da pedreira outros riscos continuaram (pular da ponte, por exemplo, como era gostoso, principalmente à noite, com um grau na cabeça e com o rio cheio).
Hoje, como quem para de beber ou fumar depois de trinta anos, posso dizer que a lição foi aprendida. Não subi pedreira ou pulei da ponte. Desta vez fiquei embaixo ajudando um amigo na poda de uns galhos de mangueira. Susto pra mim e dor para quem se intitulava homem-aranha. Em letras minúsculas mesmo, pois não somos nada disso que passa nas telas e revistas em quadrinhos. Temos ossos, e não teias; temos mãos, e não cordas ou guindastes; temos braços, e não asas. Então, homem-aranha o ... 
E se acreditamos ser super-heróis ou temos a crença de que as coisas ruins acontecem só com os outros, temos que aprender com dor e susto. No mais desse comportamento, é contar com a sorte ou milagre, como queiram; no mais é respirar aliviado diante do que poderia ser muito pior; no mais é gratificante ter uma grana pra agilizar um atendimento médico-cirúrgico. 
Prefiro achar que foi um milagre saber que o homem-aranha que estava lá em casa para pintar as paredes só quebrou o nariz num galho de mangueira. Prefiro rir com o médico, rir agora, do nariz que ficou bem melhor graças ao tombo, pois pôde ser melhorado com a cirurgia, sem contar a voz que não será mais fanhosa.  
Prefiro achar que foi um milagre. A pedreira era de algodão. O rio era banho dado por mãe. A mangueira era bonsai.

O Preço da Felicidade

por Virginia de Almeida Ferreira
 
Vamos deixar uma coisa clara logo de inicio: a felicidade não tem preço. Por isso, se algum dia tiver que pagar para resolver pequenos problemas, não pense que ficará pobre por isso. Muitas vezes na vida nós nos vemos diante de soluções que, aparentemente, são caras. Até temos o dinheiro naquele momento. Mas preferimos economizar tostões e acabamos por colocar em risco nossa vida e a dos outros. É o caso daquela visão do carro, de uma consulta em um bom especialista, da escolha entre dois produtos no supermercado. Diz o dito popular que não se faz "economia na base da porcaria". Tem seu lado de razão. Um dos grandes pecados que acabam por nos fazer sofrer muito (e os outros também) é a imprudência. É disto que quero falar hoje. A generosidade é a porta da felicidade. O avarento sempre é triste. Fica apegado às "coisinhas". Não consegue abrir a mão. E este é exatamente o segredo da felicidade: abrir a mão. Jesus nos revelou esse segredo quando disse de modo aparentemente contraditório: "Quem quiser guardar a sua vida vai perder, mas quem aceitar perdê-la "Vai ganhar". Não se iluda com derrotas aparentes. Muitas vezes temos que chegar ao fundo do poço, onde não existem mais soluções visíveis, para que possamos aceitar que há coisas que estão na mão de Deus. Ou na dos outros. A auto-suficiência também é inimiga da felicidade. Uma pessoa feliz é necessariamente humilde. Sabe pedir ajuda quando não consegue resolver os seus problemas. Certo. Nem sempre isso é fácil. É muito mais gostoso resolver tudo sozinho e depois deleitar-se com os louros da vitória. Mas para que serve tudo isso? Como diz o livro do Eclesiastes: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". O autor descobriu que os valores espirituais estão muito além das pequenas coisas da terra. Um rico muito rico nada leva daqui. No céu, não há bancos a "nem cartão de crédito. Mas, para lá chegar, precisamos viver neste "vale de lágrimas". Precisamos ser solidários. Os ricos inteligentes são desapegados de seu dinheiro e até agradecem àqueles que aceitam ser ajudados financeiramente. Dizem que quem dá aos pobres empresta a Deus. Então deve ter muito rico frustrado no purgatório por ter deixado uma grande herança para a "disputa judicial de seus filhos". Ele poderia ter ajudado os pobres. Poderia ter feito tanta caridade. Mas não entendeu a lição do "preço da felicidade". Podemos utilizar os bens com inteligência. Por que não o fazemos? Bom... a resposta é óbvia. Ser apegado aos bens deste mundo não é muito inteligente. Ouvi dizer que na África alguns caçadores utilizam um método bastante inusitado para pegar macacos. Colocam um coco com uma pequena abertura preso a uma árvore, com algumas frutinhas dentro. O macaquinho coloca a "mão na cumbuca" e fecha - a com as frutinhas dentro . Com isso a mão não sai do coco e ele fica preso. Você deve estar pensando: "Mas que ignorante este bicho!...Era Só abrir a mão que poderia fugir!"". Bem, a pergunta é: por que nem sempre fazemos o mesmo? Para ser feliz, é só abrir a mão. Esse é o preço da felicidade!

Dr. Décio: Um Homem, Uma Vida

Venho, há algum tempo, nutrindo a ideia de escrever algumas linhas sobre o Dr. Décio, como é carinhosamente tratado o eminente professor e advogado Décio Coelho da Silva, que vindo de Rio Pomba/MG, constituiu família nestas paragens com a sua saudosa Elvira, e hoje não mais me contive.

É uma honra para mim tê-lo como amigo, e dele sou profundo admirador.

Já se passaram algumas década desde quando, ao assumir o cargo de Escrivão e Tabelião do 1º Ofício, tornei-me vizinho da sala do Dr. Décio que, então, chefia a agência ou escritório do IBGE, instalado no prédio do Fórum de Rio Preto.

Desde então, fui, paulatinamente, passando a admirá-lo, quer pela sua sabedoria e sensatez nas questões do cotidiano, quer pela sua capacidade profissional e, acima de tudo, pela sua honradez e dignidade, tendo dele recebido lições valiosas, não só de direito, como de vida, que muito me ajudaram no meu crescimento profissional e pessoal.

Um homem desprovido dos sentimentos ruins que tanto nos empobrecem, um homem íntegro, um homem que sempre exerceu a advocacia sem estimular desavenças, ao contrário, desempenhando sempre o papel de "algodão entre cristais".

Dr. Décio, um homem que subiu os degraus da vida profissional por méritos próprios, com muito esforço, dedicação, estudo, tornando-se, assim, capaz e digno do exercício de seus misteres.

Enfim, um homem que construiu uma vida digna e carreiras brilhantes, sem escoras...

Dr. Décio, receba esta homenagem, dela o senhor é credor e eu, devedor.

Um forte abraço.

Pedro Paulo de Oliveira Filho – Professor e Advogado.

12/16/2012

FM NATUREZA

Adriano de O. Duque
 
E o dia vai amanhecendo. Primeiro os galos e primeiramente estão ensaiando o clarear. Isso mesmo, ainda é noite quando os galos e garnisés cantam pela primeira vez, afinam e limpam suas cordas vocais. Mais uma ou duas horas e eles estarão prontos. Até que comecem o grande concerto dá pra dormir mais um pouquinho, é a noite no seu último pedaço de escuro. 

                Tudo pronto, agora é pra valer, os galos começam, um vai emendando no canto do outro e a manhã, como disse o poeta, vai sendo tecida. Depois chegam os músicos de pequeno porte, mas de grande sonoridade para o concerto, os passarinhos. Sabiás, canários, tizis, bem-te-vis, sanhaços...tomam seus lugares nos galhos das árvores, pautas dos fios, cumeeiras de telhados, antenas de televisão e começam a transmitir suas melodias. Elas vão se misturando e no final é um só canto, uma só música: a música do amanhecer.  Lá na frente, longe dos outros, vão os pequenos boiadeiros, mas com seus poderosos cantos, tocando a lua e as estrelas para o céu do Japão.

                Neste despertar, que dura quase meia hora, há um pacto pelo canto. O tucano esquece o bem-te-vi com seus apetitosos filhotes e canta, apesar do bico, o seu canto curto; o gavião não é espiral ou rasantes certeiros, faz seu som também; os sanhaços e saíras não voam direto no doce das frutas, cantam primeiro o parabéns para a natureza; as sementeiras ainda guardam o orvalho antes do pouso dos digamos passarinhos naturebas.

                No acordar dos galos, garnisés e passarada a vontade de cantar chega em primeiro lugar. Primeiro o canto, depois o alimento. Ou a obrigação de cantar para acordar o sol que iluminará seus alimentos.

                Seja o que for, já tenho no amanhecer mais que um acordar para a barulheira da descarga, o escovar dos dentes, a água fria no rosto com a quente do café...Seja o que for, acordo primeiro para esse concerto ao vivo que a estação primavera está transmitindo todos os dias pela FM Natureza.

7/15/2012

Toco de Enxurrada

Por, Virginia Almeida Ferreira, Adaptado de um texto de escritor de histórias infantis.
Você já ouviu falar em “toco de enxurrada”?  É aquele tronco de árvore que nos rios da vida, apesar de toda a pressa da água, navega devagar, pára aqui, enrosca ali, dá um tempo mais adiante.  Proseia, bate papo, emociona-se de riso, de choro, de sonhos. E, ao seguir, de novo, nas águas, parte renovado de esperanças, deixando e levando frutos da amizade. Pois é, graças à sabedoria passadas pelos pais, que muitos “tocos de enxurrada”, navegam pela vida e fazem muitas paradas. Alguns param nas faculdades, se tornam Psicólogos, Pedagogos, Professores, enquanto trabalham para sustentar a prole às vezes numerosa. Outros, afastados dos bancos escolares, tornam-se boiadeiros, pescadores, caçadores e ávidos contadores de histórias. Conhecem cada canto de pássaro, cada toca de bicho no mato, cada rês desgarrada. Descobrem que por viver como um “toco de enxurrada”, ouvindo, vivendo histórias e visitando os tesouros da amizade, tornam-se algo na vida. Às vezes, este “toco de enxurrada” nascido no alto da serra, na nascente do rio, ou nas encruzilhadas ao pé do morro, moleca por aí, fazendo estripulias e levando a vida como quer.  Livre, quando desgarrado, avança pelas matas “engaiolando” passarinhos, catando pinhões soltos das árvores, escondendo-se à beira das estradas, atirando pedras na bunda dos bois, só para ver o estouro da boiada, mas, isto lhe custa um “pé no ouvido”, que fica zunindo até a próxima lua cheia. Cada “toco de enxurrada” bate e apanha muito na vida. Nas guerras de molecada onde é um por todos e todos por um, motivo são e muitos,sempre envolvendo a garota alheia ou a bola de futebol, briga de mão que logo termina com a assinatura de paz, e ali, nascem grandes amizades. Cada “toco de enxurrada”, passa pela infância e cresce cheio de sonhos  que o transforma no jovem que se apaixona,  sofre desamores mas, continua a rolar, engastalhando-se ou buscando corredeiras mais livres onde possa sonhar amar e criar novos troncos de amizade. Você, por acaso conhece algum “toco de enxurrada”? Muitos já se foram (Braz do Funil, Dolor Tomé, Chico Silvino...), mas, existem ainda centenas por aí, dispostos a contar as paradas que tiveram em sua caminhada pela vida. Procure um destes contadores de histórias, faça amizade e veja como valerá a pena conhecê-los e prosear sobre suas passagens pelas enxurradas pelas quais sobreviveram.  Sempre que sentir vontade de ouvir causos e lendas passadas procure-os, afinal vocês já serão amigos.

CIUMEIRA BESTA OU BAITA DOR DE COTOVELO (1)

CONCATENADAS PELO TIO FRASME*

Peça teatral infantil, de ato único e cena idem, para criancinhas mais ou menos espertas de oito a oitenta e oito anos, cometida inadvertidamente pelo titio FRASME e levada ao palco pelo vitorioso grupo “TEATRINHO CRIANÇA FELIZ”
Media luz. Abrem-se as cortinas. Como fantasmas, sombras perambulam por sobre o palco. Música, do eterno Lupicínio Rodrigues, em surdina. Quem canta é velho Jamelão. Seu vozerio dança com as sombras.:
# VOCÊ SABE O QUE É TER UM AMOR, MEU SENHOR k&
# TER  LOUCURA POR UMA MULHER
# E DEPOIS ENCONTRAR ESSE AMOR, MEU SENHORk&
# NOS BRAÇOS DE UM OUTRO QUALUER  k&
A luz aumenta a intensidade paulatinamente. As sombras transformam-se em imagens reais do Tigrão e do Lobão I que, trajando ambos fina estampa, estão abraçados como se um corpo apenas fosse, aos “beijos e abraços” (2) como bem diria aquele nobre causídico, ao alegar legitima defesa da honra do seu (lá dele) cliente.
No canto esquerdo do palco (3) o rei Leão, debulhado em lágrimas, eleva sua poderosa voz por sobre a música ambiental:
# VOCÊ SABE O QUE É TER UM AMOR, MEU SENHOR
# E POR ELE QUASE MORRER
# E DEPOIS ENCONTRÁ-LO EM UM BRAÇO
# QUE NEM UM PEDAÇO DO SEU PODE SER
Do outro lado, quer dizer do lado direito do palco (4), a Tigresa e o grande Lobão II, em dueto uníssono, entoam como se respondessem ao queixume do rei Leão: 
# HÁ PESSOAS DE NERVOS DE AÇOk&
# SEM SANGUE NAS VEIAS E SEM CORAÇÃO
# MAS NÃO SEI SE PASSANDO O QUE EU PASSO
# TALVEZ NÃO LHES VENHA QUALQUER REAÇÃO 

No fundo do palco o grande coral formado pelos Esquilinhos Trabalhadores, Raposa, Tourinho Gir, Mussaranho, Advogado (5), Gallo China, e mais um porção de bichinhos não nominados, cantam a plenos pulmões:
# EU NÃO SEI SE O QUE TRAGO NO PEITO
# É CIÚME, DESPEITO, AMIZADE OU HORROR
# EU SÓ SEI É QUE QUANDO A VEJO
# ME DÁ UM DESEJO DE MORTE OU DE DOR 
Cai o pano. As luzes são acesas. A platéia inteira delira aplaudindo, freneticamente, o formidável elenco. Alguém, que estava perto do Burro, jura que o ouviu murmurar:
- É, o Lobão I foi o último a entrar no ônibus, mas já está sentado na janela... 
Esta modesta, simplória, pífia, humilde e “malescrita” fabuleta é uma homenagem “idem- tudo-aquilo-anterior”, ao MILLÔR FERNANDES (6).
Notas, pretensamente, esclarecedoras ou TITIO FRASME é cultura. A expressão teve origem nas cenas de pessoas sentadas em bares, com os cotovelos apoiados no balcão bebendo e chorando um amor perdido. De tanto ficar naquela posição, as pessoas ficavam com “dores no cotovelo”. Como diziam aqueles antigos advogados nos tribunais de júri quando, defendendo maridos traídos assassinos de esposas “amadas”, justificavam:- “Viu sua esposa aos beijos e abraços com o outro, matou por amor! O grande Leão sente-se melhor à esquerda. Esquerda ou direita? “O que eu não entendo hoje, naquele tempo eu não sabia” como disse o Riobaldo Tatarana em Grandes Sertões de JGR. Advogados estão, obrigatoriamente, em tudo que é lugar. MILLÔR FERNANDES era super, hiper, fabuloso, fenomenal, insuperável, inconcebível, maravilhoso, melhor de todos. Recentemente cansou-se deste eterno “non sense” e foi embora para onde ele pensava não existir. *FRASME vive em São Cristóvão cometendo peças teatrais infantis, de ato único, que criança nenhuma entende, para um jornaleco que ninguém lê.

1/08/2012

Nossa Crônica

Licença poética

por, Aloísio M. Moraes     

            Estava faltando em Rio Preto um bar noturno com música ao vivo como o recém inaugurado Porão. Localizado no Bairro do Divino, o novo point é benvindo, principalmente porque não havia na cidade música de boa qualidade para se ouvir. Não só nós, sessentões, mas também os jovens maiores de trinta já aderimos à novidade.
            Reizinho (prof. Darcy) e o Alexandre Faria tiveram o cuidado de transformar o porão de uma casa antiga (do Reis) num bar. O resultado disso é o aconchego, comida boa, bons vinhos e cerveja geladíssima. Há costela de boi assada e iscas de peixes, entre os petiscos preferidos. O cardápio é variado e quem pede não tem ficado insatisfeito.
            Quanto aos preços cobrados, não são de assustar ninguém. Se comparados a restaurantes de fora, não há exageros. Justificam-se por causa do excelente atendimento, aliás, nota mil até agora. Tanto Reizinho como Alexandre têm agradado muito à clientela. Ambos e as garçonetes têm se esmerado para servir bem, a tempo e a gosto, aos menos e aos mais exigentes.
            Mas, além dessa hospitalidade mineira, o ponto alto do Porão tem ficado mesmo é por conta da boa música oferecida. Tem couvert, gente, mas vale à pena pagar para não deixar de ouvir. Com um fácil, descontraído e variado repertório, Beto Rezende tem esbanjado talento ao cantar e tocar boas melodias e harmonias de MPB no violão.
            A dupla Beto e Reizinho (voz e percussão) é a que mais se apresenta. De vez em quando aparecem outros músicos. Ricardo (do Funil), sempre por perto, é também dos que empolgam com música popular de belíssima qualidade. Márcio Melo, no teclado, também já esteve no Porão. Agradou muito ao formar trio com Beto e Reizinho. O repertório do dia foi fantástico.
            Na semana passada, o espetáculo ficou por conta do Paulinho Lima. “Bicho de Sete Cabeças”, música tocada por ele no violão foi de fazer qualquer um arrepiar. Além dele, no mesmo dia, também se apresentou o Léo Preto, outro dos bons talentos jovens do violão. Seu repertório agrada muito a juventude e, porque não, aos jovens maiores de 60.
            Enfim, esse pessoal tem dado bons shows no Porão e animado muito as noites riopretanas dos últimos tempos. Daí a razão de aquele bar está merecendo o nosso aplauso. Tomara que o Reizinho e o Alexandre consigam levar avante, com persistência e coragem, o difícil trabalho de administrar uma casa noturna como esta que idealizaram.
            Rio Preto só tem a agradecer, principalmente porque o Porão se tornou numa boa opção de lazer. Não só a cidade deve agradecer a iniciativa, mas também os muitos freqüentadores de Valença e redondezas que já estão indo lá se divertir. Tem sido comum o bar estar superlotado.
            E tem sido também comum freqüentadores pedirem para cantar. Boas surpresas têm aparecido, de maneira fortuita, nas noites do Porão. Uma delas, Marquiori, em seu dia de descanso e folga do trabalho, surpreendeu cantando. Sua voz afinada e seu repertório variado empolgaram a platéia. Quem ainda não conhece o Porão que vá lá e não se arrependerá. Aquilo ali é o nosso espaço da licença poética!...   

8/22/2011

NOSSA CRÔNICA

SORTE NAS PESCARIAS, por Aloísio M. Morais – Advogado e Jornalista.


Não sei se lenda ou verdade, o fato é que o Joaquim viu o Caboclo d’Água enquanto pescava na beira do rio Preto. Eu não quero que essa história fique por minha conta, que você, leitor, ache que é da minha inteira responsabilidade o que passo a contar. Não, quem dá a certidão do ocorrido é o Joaquim, riopretano e meu grande amigo.

- “Nasci, cresci e me criei sentindo nos pés o frio das águas do rio” – disse Joaquim ao falar do nosso santuário ecológico, o rio Preto. – “Aprendi, desde menino (hoje Joaquim já passou dos 70), que o rio é, ao mesmo tempo, vida e morte. Nas suas águas se escondem os lambaris, piaus, bagres e dourados. Agora..., tem outros, ainda ...”.

- Que outros? – indaguei.

- O Caboclo d’Água – disse, olho no olho e sério, sem piscar, prá não ser enganado por um possível e desconfiado riso meu, que não aconteceu.

E então Joaquim passou a definir como é o tal: - “É um baita dum negão, forte e esperto que nem cobra. Escorrega n’água sem fazer borbulha. O que eu vi na semana passada, enquanto pescava na Bôca-da-barra, tava cuspindo água pelas ventas de tão brabo com o lixo que descia por cima do rio”.

Segundo o meu amigo, o Caboclo d’Água defende o rio Preto assombrando os maus pescadores ou garimpeiros. Ele diz que no tempo que o garimpo estava ativo, nos idos de 90 e poucos, “eu vi o negão afundar embarcação dos ladrões de ouro do rio”- garante. Um dos mitos que corre à boca miúda, entre os pescadores, é que uma das maneiras de acalmar a ira do Caboclo d’Água é jogando fumo de rolo no rio.

Leitor, continuo a duvidar se o que escrevo é mesmo uma lenda. Sem me importar com isso, sei que faz essa história parte do nosso folclore. Sobre outras falácias, virtuais que sejam, como a do lerdo Jabuti, que habita temporariamente um oiti na Rua Larga, também não posso garantir nada sobre a sua existência. Uma boa história para contar, a ponto de fazê-lo, leitor ou leitora, ficar um pouco atento a estas linhas, é o que está me importar agora.

Mas, não percamos de vista da imaginação o nosso Caboclo d’Água. Afirma o Joaquim que quando o bicho não gosta de um pescador “ele afugenta os peixes para longe deles”. E diz ele que tem “Cabocla d’Água, fêmea, que até põe peixe em anzol de pescador quando se vê apaixonada por ele”. É por isso que às vezes, de cima da ponte, algum pescador diz que pegou o maior piau da região (“ele não sabe de nada...”- diz Quincas, rindo).

E tem mais, acrescenta o meu interlocutor pescador: -”o negão não vive só dentro da água. Ele também gosta de ficar deitado de barriga prá cima, em terra, às margens do rio em dia de muito sol”. Segundo Joaquim, “os pés dele são parecidos com pés de pato, e, debaixo dos dois braços tem nadadeiras”.

Para terminar sua história o meu amigo revela que é muito comum ele se encontrar com o Caboclo d’Água quando vai pescar na beira do rio Preto. – “Posso dizer que sou um homem de sorte, pois sempre trago para casa bons peixes. O segredo é que eu trato muito bem o bicho. Sei que ele gosta de uma boa cachaça. Por isso, levo sempre prá beira do rio uma boazinha prá ele. Depois é só esperar que no anzol vem peixe” .

O Quincas pode enganar a outro, mas não a mim. Pelo que fiquei sabendo, também à boca miúda, através de um outro pescador, é que o Joaquim está de caso com uma Cabocla d’Água. Por isso é que tem tido sorte nas pescarias pegando piaus.

NOSSA CRÔNICA

Nota de pesar. Dolôr T. de Freitas. Morador do bairro Divino e cronista do Argumento. Adeus, Dolôr!


CAMISINHA, por Dolôr T. de Freitas.
Os tempos mudaram! Vejam só. Eu estava com uns dezessete anos e fui apresentado, sem saber sequer o nome, a ela. Trabalhava num restaurante, lá em Vassouras. Coisa grande. Ficava no bar como copeiro. Às vezes, servia as mesas, conhecia os tais dos barões e fazendeiros. Nessas ocasiões, ganhava gorjeta. Melhor ainda era quando eu ia servir no cassino, ele era lá no fundo do bar. Lá a gorjeta era melhor ainda. Umas madames pagavam bem e jogavam muito. Vinha gente até do Rio de Janeiro para tentar a sorte, beber e rir. Bem, agora que já falei onde eu estava, agora é falar do que mudou. Pois, até agora não mudou nada, os restaurantes estão em cada esquina, os garçons também e os jogos mais ainda. O que mudou foi, pois bem, com a juventude. Eu tinha dezessete anos naquela época e, hoje, um garoto de doze anos já sabe do que eu estou falando, e sabe muito bem se bobear. Esta revelação aconteceu quando o filho do dono do restaurante me chamou lá fora. Pediu para que eu fosse a farmácia comprar camisinha. E disse que era pra não espalhar. Saí sem entender o motivo do segredo e porque comprar camisinha lá na farmácia. Chegando lá, pedi. O vendedor veio e trouxe um pacotinho. Perguntei se ele tinha entendido bem o recado. Ele riu, disse que sim e me deu aquela aula. Achei que era brincadeira, mas fui acreditando no final. Aprendi que havia outra camisinha sem ser para bebês, existia uma outra que era para não tê-los.

6/03/2011

A CASA DOS MONTEIRO

Gilberto Monteiro

De repente vem do jardim

o ar

com cheiro

de jasmim.


Zás-trás

mas bem calado

o perfume me leva

ao passado.


O rio Preto ora alto

ora baixo

a ponte

e na boca da ponte

a casa

com seus caramelos

rendas

e cortinas.

Rente ao muro o cheiroso

jasmineiro.


Suavemente o passado volta.

Ponte que ficou

águas que se foram

com a infância,

e,

do jasmineiro

o cheiro

a fragrância...

TÁ LIMPO, AMIZADE!

por Adriano de O. Duque

Para chegar no Sujo tem que passar pelo Encardido, seu irmão. E para conhecê-lo é preciso antes vencer, com carinhos, o Protozoário e o Micróbio, seus cães de guarda. Quem também mora lá é a gata de nome Bactéria.

Em meio a esta aparente ameaça à saúde e sob uma noite limpa, encontramos o Sujo dormindo feito um bacilo. Chamamos e uma luzinha acendeu, depois uma voz resmungou e, enfim, a porta fez barulho na tramela e foi se abrindo devagarzinho, não toda. Lá estava ele, desconfiado na porta entreaberta, querendo saber quem estava ali a querer, se não bastasse o apelido, ainda mais contaminá-lo. Motivo desta desconfiança, ele tem bons, mora sozinho, depois da Serra da Glória, um lugar não muito católico, ou, para esta crônica, melhor dizer não muito limpeza. Andam acontecendo umas coisas da pesada por lá. O sujo nos contou algumas. Falou de crimes bárbaros...

Logo que reconheceu a voz e a fisionomia das meninas, Rosana e Adriana, ele se deixou ver por todo e escancarou a porta. Daí em diante, foram só gentilezas, limpeza total. Mandou entrar, buscou copo para beber com a gente, acendeu o fogão de lenha para fritar um tira gosto e foi contando um pouco de sua vida. Falou como era bom morar ali, cultivar umas bananeiras, criar umas galinhas etc. Realmente, o lugar é muito bonito, uma quebrada de curva com sua casinha lá embaixo. Nessa percepção, tinha um céu todo estrelado, uma lua cheia e uma moita de bambu que, para dar um toque à lua, fazia um som meio filme de terror.

Sujo, apesar dos últimos acontecimentos violentos, estava em paz. E, de dentro desta paz, brincou afirmando que de sujo ali só havia o seu apelido, porque no mais era tudo limpinho. Nem precisava dizer isto, mas, com um apelido desses, achou melhor deixar tudo em pratos limpos, isto é, pratos, panelas, talheres, roupas, fala, olhar etc.

E foi assim que terminamos outra sexta-feira: num lugar longe dos bares; numa casa longe das outras; num céu longe do céu de lâmpadas da cidade.

E se lá era tudo limpinho, não foi preciso olhar fundo para saber o seu nome. Sujo, na verdade é Osmair, Osmar de pai, e Ir de, segundo ele, rodar por este país de meu Deus.

12/29/2010

LULA, DILMA E O PT DE RIO PRETO

Por Adriano O. Duque

     Final de ano. Foram muitos argumentos para vencê-lo. Lula fez Dilma presidente, como desejava. Quebrou mais um tabu, teremos uma mulher na presidência e, mais que isso, admirável. E se com Lula a esperança venceu o medo, com Dilma a verdade venceu a mentira. E foram muitas, algumas de tão absurdas tornaram-se patéticas: “Dilma mata criancinha”, “Serra sofre atentado”.
No desespero de vencer, colunistas foram demitidos por ousarem defender programas sociais do governo Lula em suas colunas. Um exemplo, a psicanalista e colunista do jornal Estado de São Paulo (Estadão), Maria Rita Kehl, demitida porque defendeu em sua coluna a Bolsa Família dizendo que a mesma é “bolsa cidadania”, mas não “bolsa vagabundagem”, como muitos políticos e jornais apregoam. E se o ano político foi bom para o Brasil, principalmente para o brasileiro de baixa renda, já é motivo para comemoração e dizer que os próximos anos prometem progressos maiores.
     Nesta festa da esperança e da verdade, Rio Preto vem fazendo a sua parte. Dilma venceu nos dois turnos. E esta vitória só não foi maior porque faltou conscientização. Faltou conscientização porque o PT de nossa cidade encontra-se em uma aliança com o PSDB de Serra. Aliança esta que afasta o PT dos trabalhadores, dos jovens e do sonho de governar nossa cidade para os abandonados pelo poder público – e são muitos.
Pelo visto, aqui Lula só serviu mesmo para angariar votos na eleição municipal, pois, como vimos, sequer houve uma manifestação por parte do PT pelos 8 anos do governo Lula e as conquistas garantidas por este governo. E se faltou argumentos (ou independência) para o PT de nossa cidade despedir do presidente que mudou a cara do nosso País, defender a candidatura Dilma de tantas mentiras e comemorar com o povo a sua vitória na praça, para nós do Argumento não faltam páginas para dizer que Lula deixou um legado de esperança que se baseia na distribuição de renda.
     Desejamos aos nossos leitores um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

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